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Sobre a “baderna” na USP

“Primeiro, eles vieram atrás dos comunistas.
 E eu não protestei, porque não era comunista.
Depois, eles vieram pelos socialistas
e eu não disse nada, porque não era socialista.
Mais tarde, eles vieram atrás dos líderes sindicais.
E eu calei, porque não era líder sindical.
Então, foi a vez dos judeus.
E eu permaneci em silêncio porque não era judeu.
Finalmente, vieram me buscar.
E já não havia ninguém para protestar”.
                   (Martin Niemoller, pastor protestante alemão,
                   sobre os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial).
 

Car@s amig@s!

Por incrível que pareça o Estadão publicou uma entrevista com  Michael Lowy. Convido a tod@s a arranjarem um tempinho para ler e refletir acerca da análise do ilustre professor sobre as insurgências da juventude, inclusive no caso da USP.

Tenho lido diversas manifestações de cunho pragmático condenando os alunos da Usp por estarem protestando ao invés de estudar já que estão na melhor universidade pública da América Latina.

Pois para mim é exatamente por isso que devem protestar. A história mostra que para perder os dedos basta que deixemos nos levar os anéis. Sendo assim, quem tem tudo não pode deixar que se perca nada.

Por outro lado, aqueles que julgam apressadamente os estudantes da Usp, se valendo dos argumentos prontos do PIG, sob meu ponto de vista, ao invés de condenarem os que têm tudo deveriam lutar(como eles fazem)  para equiparar suas condições às condições deles.

No mais, fiquem com a entrevista de Michael Lowy.

O transbordo do copo de cólera

13 de novembro de 2011 | 3h 09

Juliana Sayuri – O Estado de S.Paulo

Quando era um jovem de 18 anos, estudante de ciências sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), ainda nos tempos da Rua Maria Antônia, ele assistia às conferências de Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, José Arthur Giannotti, Otávio Ianni e Paul Singer, mentores que o convidaram a participar do prestigiado núcleo de estudos de O Capital. Aos 26, pupilo de Lucien Goldmann e laureado sociólogo pela Sorbonne, em Paris, foi estudar hebraico num kibutz e lecionar história na Universidade de Tel-Aviv, em Israel. Aos 30, com o Maio de 68 sacudindo a França, recebeu (e aceitou) um convite para lecionar na Universidade de Manchester, na Inglaterra. Em 1970, ainda longe dos 40, descobriu-se persona non grata no Brasil do general Médici, tornou-se um judeu paulistano sem passaporte brasileiro e se estabeleceu definitivamente em Paris para estudar Marx, Lukács e Guevara.

Estudantes em confronto com a PM na USP - ANDRE LESSA/AE
ANDRE LESSA/AE
Estudantes em confronto com a PM na USP
 
Agora, rejuvenescido aos 73, o sociólogo Michael Löwy anda entusiasmado com a volta dos estudantes às ruas brandindo livros de Marx e Walter Benjamin. “Não pode haver um movimento que não se refira às lutas, às vítimas, aos mártires e aos pensadores do passado porque nós nunca partimos do zero”, diz. Objeto de estudo em As Utopias de Michael Löwy: Reflexões sobre um Marxista Insubordinado, de Ivana Jinkings e João Alexandre Peschanski (Boitempo, 2007), organizador de Revoluções (da mesma editora) e atualmente pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) de Paris, nas últimas semanas Löwy acompanhou o noticiário da ocupação (e a posterior desocupação) da reitoria da USP. Interpretou como “faíscas” o clamor dos estudantes contra a presença policial e os berros por liberdade para se fumar maconha no câmpus. “O que se passa é muito maior que isso. Há uma indignação com a ordem das coisas no mundo. Um sentimento de cólera. E, diante dessa percepção de injustiça, os estudantes têm um papel essencial, começando movimentos de protesto. Não podemos subestimá-los.” A seguir, a entrevista que Löwy concedeu ao Aliás, por telefone, de sua residência na capital francesa.

Estudantes ocupando praças em Nova York, Madri, ruas em Santiago, a reitoria na USP. Estamos diante de um arrastão de rebeldia ou são episódios isolados?
Não são episódios isolados. São parte de um processo internacional que lembra os anos 1960. Quando há um sentimento de injustiça e insatisfação na sociedade, os estudantes são os primeiros a se organizar e a protestar. Agora, na maioria dos casos, seja na Europa, no Chile ou nos Estados Unidos, não são apenas estudantes. É a juventude em geral. Os estudantes naturalmente têm um papel importante, mas é um movimento bem mais amplo, ao qual vão se agregando outros grupos – desempregados, trabalhadores, sindicalistas. Torna-se algo muito plural. O que há de comum é a indignação. Essa palavra está servindo como um sinal de identidade dos protestos. Há uma indignação muito grande que pode estourar por com um pretexto mínimo. No caso de São Paulo foi uma intervenção policial na USP. Mas poderia ter sido outra faísca.
Indignação com o quê? No caso da USP, pode-se ter a impressão de que é com a impossibilidade de fumar maconha no câmpus.
É muito maior que isso. Há uma indignação com a ordem das coisas no mundo. Um sentimento de cólera – e cólera com alta qualidade ética e política. O começo de qualquer movimento ou mudança social sempre se dá com um estado de espírito indignado, a começar na juventude. E fácil de entender o porquê de tanta indignação. Estamos numa situação em que a ordem social parece cada vez mais irracional, promovendo desigualdades gritantes, promovendo os excessos do mercado financeiro, a destruição do meio ambiente. As razões para a indignação são evidentes. Têm a ver com o sistema. Por mais que comece com uma história de maconha e confronto com a polícia, acaba se transformando em um protesto antissistêmico. Em última análise, o objeto de indignação é o poder exorbitante do capital mostrando a sua irracionalidade e desumanidade. Muitas vezes, isso é formulado explicitamente nesses termos. Outras, não. Mas a questão está subjacente em todos os protestos recentes. Nós, sociólogos, precisamos tentar entender por que isso não começou mais cedo. Porque as razões para a indignação já existiam. Pelo jeito, foi necessário uma acumulação de descontentamento e um sentimento de que não é mais possível tolerar tal situação. E de que é preciso se revoltar, sabendo ou não se se conseguirá impor alguma mudança. Há um imperativo categórico de revolta, no sentido kantiano. Há coisas que você precisa fazer, mesmo sem ter certeza de em que vai dar. E quanto maior a participação ativa dos jovens, dos estudantes e de outros setores, cria-se uma relação de forças que pode pelo menos impor limites ao sistema e, sobretudo, criar uma tomada de consciência. Isso talvez seja o mais importante: a tomada de consciência. O Ocupe Wall Street não conseguiu arranhar o capital financeiro, mas despertou consciência crítica em grandes setores. Eis um evento importante. Histórico até.
Ocupações, greves e passeatas ainda são formas eficazes de protesto?
São as formas clássicas de protesto, que reaparecem sempre. Mas também há formas novas surgindo. Por exemplo, a comunicação através dos meios eletrônicos, como o Facebook e o Twitter, que permitem uma mobilização muito rápida. E as mobilizações de agora têm um caráter festivo, lúdico, com música, dança, festa, o que é próprio da expressão da juventude. O Facebook e o Twitter têm lugar importante, mas não é o caso de mitificá-los. Eles não bastam. Para que alguma coisa aconteça, você tem que sair de sua casa, descer à rua, reunir-se com outras pessoas, ir lá, brigar, protestar, talvez enfrentar a polícia. Então, o Facebook é um suporte, não vai substituir a ação direta das pessoas.
A juventude tem voz além do Facebook? Ela se sente representada politicamente? 
Pouco, porque a representação política está nas mãos de setores sociais mais acomodados e de “mais idade”. Os jovens não se sentem representados. Há uma grande desconfiança em relação aos partidos e às instituições políticas existentes. Há certo rechaço a isso, muitas vezes com razão. Uma atitude cética diante da política institucional. Mas isso não quer dizer que haja desinteresse por eventos políticos. No meu tempo de aluno da FFLCH, nos anos 50, poucos estudantes achavam necessário ou sentiam vontade de se engajar em organizações políticas. Havia politização, mobilização em torno de determinadas causas, mas atividade política organizada era para uma minoria. Tenho a impressão de que atualmente a politização e a militância política são maiores do que nos anos 50, mas menores do que nos 60 e 70, durante a ditadura militar.
E podemos interpretar os protestos como um grito por participação política?
Analisemos o caso do Chile, que teve o movimento mais amplo até agora. Não é só um grito, é um protesto em cima de uma questão concreta: a privatização do ensino público desenvolvida no governo Pinochet, que não foi mudada pelos governos de centro-direita ou centro-esquerda que o sucederam. Trata-se de uma questão que concerne a todos os estudantes: o quase desaparecimento do ensino público gratuito, os preços exorbitantes da educação. E isso se coloca também no Brasil, na Inglaterra. Por toda a parte há essa tendência de transformar a educação em mercadoria, em indústria que deve dar lucro. E assim vai desaparecendo a educação pública gratuita, que era uma conquista de muitos anos de luta. O protesto dos estudantes chilenos começou criticando a privatização do ensino e depois tomou um caráter mais amplo, porque eles perceberam que os problemas na educação são parte de uma orientação geral de um sistema neoliberal. Notaram que esse modelo de educação é inseparável de questões maiores e, assim, o movimento ganha apoio de outros setores da sociedade.
A ideia de autonomia universitária está sendo colocada em xeque? 
Autonomia universitária significa que o papel da universidade é transmitir conhecimento, cultura, ciência – e não mercadorias. Quando o papel do ensino se resume a permitir que estudantes adquiram um diploma, ou a prepará-los para encontrar um posto a serviço do management, do marketing, perde-se a qualidade humana, cultural e pedagógica da universidade. As universidades estão se tornando meras empresas voltadas para a produtividade, a racionalidade instrumental mercantil. E, obviamente, boa parte dos estudantes e professores resiste a isso, defende o estatuto da universidade como lugar de produção de cultura e conhecimento, com autonomia em relação ao mercado, à economia e às empresas.
No caso da USP, os estudantes se tornaram massa de manobra de partidos e sindicatos?
Não, pelo contrário. Há uma relação de desconfiança dos estudantes em relação aos sindicatos e sobretudo aos partidos. Uma parte do movimento sindical, geralmente a parte mais radical, se aproxima do movimento estudantil em busca de aliança. Mesmo que haja certo interesse dos jovens nessa aliança, ela não se dá com facilidade, porque os objetivos dos sindicatos são mais limitados. Os ritmos não são os mesmos, a cultura política não é a mesma. Então, há uma diferença que dificulta essa aliança. Mas, para os estudantes, é importante conseguir criar uma situação em que os sindicatos resolvam participar da mobilização. Isso tem acontecido no Chile, na Espanha, na Grécia, nos EUA. Longe de serem manipulados pelos sindicatos, esses movimentos de protesto têm grande autonomia. Eles buscam estabelecer a aliança, mas não no sentido de se tornarem apêndice dos sindicatos. Com os partidos políticos é mais complicado, porque a desconfiança é maior. Não há um único partido que controle ou manipule esses movimentos mundo afora.
Ao serem presos, estudantes da USP brandiam livros de Marx, Foucault e Walter Benjamin, imagens de Mao e Che Guevara. Essas referências continuam atuais?
É normal que cada vez que apareça um movimento de crítica antissistêmica as pessoas se refiram a personagens e pensadores que já exprimiram essa crítica. Então, Marx aparece como referência importante, porque ele foi o primeiro a elaborar uma crítica radical do sistema capitalista. Em muitos pontos, essa crítica é até mais atual hoje do que na época em que ele a escreveu. Fico feliz de saber que há estudantes que se referem ao pensamento desses autores. Benjamin tem uma reflexão profunda sobre o que é a modernidade capitalista, a ideologia do progresso. Ele dá elementos que Marx não dava. Guevara também é importante, sobretudo, como homem de ação e símbolo do compromisso ético com os ideais de libertação e emancipação. Tudo isso é necessário. Não pode haver um movimento, qualquer que seja, que não se refira às lutas, às vítimas, aos mártires e aos pensadores do passado, porque nós nunca partimos do zero. Mas, evidentemente, isso não basta. Precisamos também pensar com novos instrumentos teóricos para dar conta das questões que estão aparecendo neste começo do século 21. Por exemplo, a catástrofe ecológica que está se perfilando. Ela precisa de uma reflexão atual, utilizando elementos teóricos mais atualizados.

O sr. é um estudioso das revoluções dos séculos 19 e 20. Qual foi o papel dos jovens e estudantes nelas?
Depende, porque as revoluções são diferentes entre si. Em geral se pode dizer que a juventude sempre jogou um papel importante em qualquer movimento revolucionário. É uma constante. Movimentos revolucionários são levados por jovens, muitas vezes. Agora, se são estudantes ou não, isso depende da época, do país. Na Revolução Russa os estudantes não tiveram muito espaço. Na Revolução Cubana, sim. O Maio de 1968 em Paris foi um movimento totalmente estudantil. E um dos gatilhos foi a invasão da Sorbonne pela polícia. Na França, ainda hoje, a polícia entra raramente na universidade. Justamente porque se sabe que há o estatuto de autonomia das universidades e intervenções policiais provocam a reação dos estudantes. A polícia simboliza o autoritarismo do Estado contra a juventude, contra os estudantes. Esse choque com a polícia é frequente e, em certas circunstâncias, se transforma na faísca que mencionei antes, a que faz um protesto eclodir. Não podemos subestimar o papel dos estudantes nas revoluções.
Os da USP foram chamados de bichos grilos de grife, filhinhos de papai, rebeldes sem causa, maconheiros mimados… Como o sr. avalia esse tipo de tratamento?
Qualquer questionamento da ordem sempre é ridicularizado. Agora, sobre os estudantes serem meninos ricos… É uma mitificação, porque a maioria deles é de origem popular. Não são filhos de latifundiários, como eram os estudantes de antes da 2ª Guerra Mundial. Hoje em dia, a educação se tornou mais popular. Sobre a maconha: na minha opinião, não há razão para transformar o consumo de maconha em assunto de polícia. A maconha não é nem melhor nem pior do que o tabaco e a cerveja e tem um caráter bem diferente das drogas mais perigosas, como cocaína e crack. Então, essa reivindicação de descriminalizar o consumo da maconha me parece bastante razoável. Mas isso foi só um pretexto, porque em cima do tema se armou uma briga e, quando se manifestou o autoritarismo da polícia e do governo, aí assim o protesto cresceu. Muitos estudantes que aderiram à manifestação não o fizeram devido à questão da maconha e sim devido à repressão indiscriminada e arbitrária sobre alunos.
A sociedade brasileira clama por ordem?
Não é a sociedade em seu conjunto que se volta contra os estudantes com esse discurso de ordem e repressão. É a imprensa e os representantes da ordem e do governo. Eu me pergunto se parte da população não simpatiza com esses protestos da USP. Pelo menos foi o caso em outros países onde protestos dos jovens e estudantes se tornaram a expressão de um grande movimento popular. Não estou dizendo que isso vá acontecer já no Brasil, mas não há essa dicotomia entre jovens e estudantes de um lado e o restante da sociedade do outro. Essa separação é do interesse da classe dominante, dos governantes mais reacionários, como tentativa de mobilizar a população contra os estudantes.
O governador Geraldo Alckmin disse que os estudantes da USP precisavam de uma aula de democracia…
Nós sabemos que no Brasil não há nada mais democrático do que a Polícia Militar (risos). Ela tem uma tradição de várias dezenas de anos de democracia, não é? Democracia do cassetete – que não acho que deva ser a forma mais avançada de democracia. Não deve ser muito sério o argumento do sr. Alckmin. Uma intervenção policial brutal não tem nada de democrático.


Alguns autores contemporâneos, como o irlandês John Holloway, valorizam a articulação dos novos movimentos. Ao contrário do que dizia Marx, agora é possível mudar o mundo sem tomar o poder?
Holloway me deu o livro dele e pediu para que eu fizesse uma resenha, sabendo que eu iria criticá-lo. O livro Mudar o Mundo sem Tomar o Poder tem muitas ideias interessantes e toda a crítica que ele faz ao sistema me parece muito profunda. Mas acho que a proposta dele não faz sentido, porque qualquer ação social e política inevitavelmente implica uma forma de poder ou de contrapoder. O que se coloca é garantir que esse poder seja efetivamente democrático. O movimento, ele mesmo, tem formas de poder, de organização e de gestão democrática. Protesto, revolta e revolução, tudo isso não pode existir se não houver uma organização de uma forma de poder. Não podemos contornar a questão do poder, porque na política não existe vazio. A necessidade é que esse poder seja democrático. Essa é a resposta.
No livro Revoluções, o sr. destaca como os revolucionários muitas vezes são vencidos pela história. Os estudantes de hoje serão vencidos?
Não posso dizer. Mas podemos já constatar, nos países árabes concretamente, que esses movimentos de protestos da juventude não foram vencidos. Eles derrubaram duas ditaduras sinistras, na Tunísia e no Egito, com uma mobilização desarmada. Não estou dizendo que isso será uma regra, mas mostra que não há nenhuma fatalidade. As revoluções são sempre imprevisíveis, acontecem onde ninguém espera.
SOCIÓLOGO E PESQUISADOR DO CENTRE NATIONAL DE LA RECHERCHE SCIENTIFIQUE (CNRS), DE PARIS

Pra finalizar fique com um vídeo muito bem editado para o clássico dos Titãs: Polícia!

 
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Publicado por em 14 de novembro de 2011 em Uncategorized

 

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A doença de Lula e a moral socialista

“A pior forma de covardia é testar o poder
na fraqueza do outro” Maomé

Olá pessoal!

O Alienista reproduz abaixo um texto lapidar sobre o terrível mal gosto que assola grande parcela dos usuários da Internet.

Tenho comigo que uma das piores atitudes que se pode ter é tripudiar da desgraça alheia. Ademais, tais atitudes não cooperam em nada para a melhoria deste mundo que caminha de mal a pior justamente por conta do egoísmo crônico que emana da reprodução modo de produção capitalista.

Ainda que o autor esteja se dirigindo aos socialistas, a lição me pareceu válida para todos.

Enfim, fiquem com o belo texto do professor Jhon Kennedy:

A doença de Lula e a moral socialista

A sociedade vem sendo vitimada por uma profunda desumanização em suas relações. O crescimento do hedonismo, individualismo ombreiam com uma violência insana, que não raro pertubam o cotidiano em  Camaros ou Porches que atropelam indiferentes pedestres, na matança silenciosa que se disfarça em uniformes da lei ou não lei nas periferias paulistas e brasileiras, na expropriação realizada com incêndios “acidentais” em áreas de interesses “nobres”, etc.

Estas relações mesquinhas  denunciam um profundo mal estar civilizatório, como bem mostrava Marcuse.
Nesse cenário chamam atenção os festejos nababescos realizados em frente e (principalmente) dentro da Casa Branca com a notícia do assassinato de um homem velho, indefeso, doente por uma tropa de elite. Os risos, beijos abraços eram a senha de um carnaval macabro onde muito mais que uma pseudo justiça, a massa  rude e de pensamentos imberbes, exigia sangue aos berros de USA,USA,USA!
Superamos essa tristeza, pelas cenas caóticas do assassinato de um filho de Kadafi (não envolvido no governo) e de suas crianças. Tiros ao ar, risos e danças…Destinavam seu elogia e elegia a mais um espetáculo patético na cidade de Benghasi e na imprensa do mundo livre (de pensamentos críticos).
Não saciados,  Kadafi, preso e ferido após um dos  50 mil bombardeios “humanitário”, com urânio resfriado da OTAN, é linchado, sodomizado e por fim, friamente morto por jovem de 14 anos com o boné dos yankees ou por “revolucionários” mercenários narcotraficantes colombianos, ou por todos estes, ao mesmo tempo.    Pouco importa!
Importa  aqui, que setores de esquerda observaram certo regozijo nesse espetáculo funesto. Como sendo a “vitória do povo” ou a vitória da dita “primavera árabe da Líbia” (sic), estúpida avaliação, que não nos deteremos nela – HOJE – .
Mas resolvemos, mais uma vez, tomar da pena  quando vemos os mesmos setores, exibirem a mesma ética frente a doença  de Lula.
Se parece comum ver políticos reacionários, conservadores ou apenas oportunistas tecerem seus desejos através de seus porta-vozes como Lúcia Hipólito, Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes,  Merval Pereira…ou ver o repique na forma de comentários postados na imprensa  por seus diletos leitores, tudo  isso nos  parece desumanamente natural.
 Mas ver setores de esquerda se somarem a esta conduta parece que o “mal estar” centrou praça nos nossos meios intelectuais e militantes. E aqui carece um bate papo.
Não se trata de um humanismo de ocasião. Mas sim de imaginar que um projeto socialista, feito por socialistas não pode conter no seu germe a mesma pré-história que denunciava Marx em Critica da Economia Política ou o risco da barbárie anunciada com a crise da social democracia em Rosa de Luxembugo.
Isso seria a perda de (nosso) projeto humano, seria a perda de uma capacidade interior que nos faz diferentes e superiores moralmente aos nossos inimigos de classe. Seria na verdade: a derrota de um projeto libertário e socialista.
O projeto socialista é por certo a construção de um novo ideário de ser humano, um projeto por si, ético-moral, onde a figura da tortura, da opressão, do machismo e do sadismo desumano e burguês não se coaduna com a liberdade humana e com igualitarismo que postamos
A ética socialista impõe um contraponto na atitude. Um socialista não é  machista, homofônico, racista ou compartilha alegria na destruição da vida, mesmo de seu inimigo.
Tanto Mariátegui e Lenin pensaram o socialismo como um gesto grande, algo que seria capaz de sinalizar a humanidade um novo rumo e tempo; uma nova conduta, desenvolvida no estudo e na atitude. A violência é assim, pensada como auto-defesa do fraco frente a reação dos espoliadores.
Torcer pela morte de Lula, para um burguês faz parte de sua essência de guerra e destruição amiúde ou em massa, pela sua banalização das relações de poder  ou ainda, pelo seu ódio a origem proletária de Lula.
Nenhum burguês mandaria um colega de escola, de clube ou de origem como Tancredo, Covas, Sergio Mota, Alencar procurar o SUS, nenhum jornalista da imprensa burguesa proporia esse arroubo. Se um sindicalista ou líder comunitário o fizesse, estaria desrespeitando a “liberdade” essencial do ser humano poder escolher o produto que lhe convier a seu preço, ou seja, estaria desrespeitando o mercado e as suas vidas.
Estaria desrespeitando a dor dos familiares e amigos. Estaria  desrespeitando a dor “burguesa” que a Pátria sente ou deveria sentir!
Para a grande imprensa burguesa, a doença de Chaves, Lula, Fidel…são doenças que lembram coisas públicas, sociais: em essência:  a hereditariedade proletária.
É a doença de um senador que derrubou um aliado burguês, de coronel que nacionalizou o petróleo, de um operário que apresentou uma plataforma –timidamente – soberana.
Neste universo de ódio de classe, nenhuma timidez popular, mesmo que seja apresentada na forma  de renda compensatória, é tolerada.
O ingênuo militante social, que expressa esse desejo soturno, não compreende que movimentos sindicais, popular ou estudantil desprovidos de um projeto de transformação geral da realidade, são apenas movimentos coorporativos que menos hora, mais hora, se acomodará num cargo de dirigente sindical, popular, estudantil, de deputado ou mesmo presidente da República.
O ingênuo ativista social que veste a morte, como aliado na luta de classe, não sabe que pode se matar um corpo, mas as idéias devem ser superadas por outras idéias, caso contrário viram mitos, e mitos não  envelhecem!
Lula foi apenas um sindicalista que flertou em certo momento de sua vida com o socialismo, tal qual, outros dirigentes sindicais, sociais e estudantis de ontem e de hoje. Tal qual o PT! E que, como qualquer movimento social, alargou o Estado, permitiu novas acomodações ao mundo burguês,  novos agentes e massas sociais na defesa da ordem social dada.
E hoje, como qualquer novo rastaqüera vitorioso, tem o direito de tratar-se onde quiser. E, diga-se de passagem, teria boas referências e bons profissionais também no SUS, mas com certeza “furaria” a fila – e prejudicaria – pessoas que não tem as alternativas de nosso ex-presidente.
A moral socialista nos permite denunciar a violência nas portas das favelas, das escolas, nas ruas das cidades. No SUS. Permite-nos denunciar a maior das violências: a do homem explorado por outro homem e por um sistema explorador.
Superação dessa ordem, não será dará (sic) por um golpe de estado, pela morte de um  Atahualpa, exigirá compreender as classes sociais, suas frações e as lideranças dentro dela.
Somar força aos reacionários (neo) liberais, apenas reforça o preconceito contra aquilo que o burguês e as classes médias reacionárias vêem em Lula, a origem proletária, ou seja, seria somar forças contra nós mesmos.
 John Kennedy Ferreira
Sociólogo e professor
Militante da Refundação Comunista  – e – Filiado democraticamente ao PSOL
 
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Publicado por em 7 de novembro de 2011 em Uncategorized

 

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Os assaltantes da consciência

 “Corremos alegres para o precipício quando
pomos à frente algo que nos impeça de ver”
(Blaise Pascal).

Enquanto passa por um curto período de introspecção O Alienista reproduz um texto do Jornalista Mauro Santayana do Jornal do Brasil.

Trata-se de um texto exemplar e de importância ímpar, enquanto lia me lembrava do comportamento da classe média e do papel que o PIG cumpre na manipulação do “efeito de manada”.

O Alienista recomenda a divulgação do texto.

Boa leitura a tod@s!

Os assaltantes da consciência

 Por Mauro Santayana
Muitos cometemos o engano de atribuir a Goebbels a idéia da manipulação das massas pela propaganda política. Antes que o ministro de Hitler cunhasse expressões fortes, como Deutschland, erwacht!, Edward Bernays começava a construir a sua excitante teoria sobre o tema.
Bernays, nascido em Viena, trazia a forte influência de Freud: era seu duplo sobrinho. Sua mãe foi irmã do pai da psicanálise, e seu pai, irmão da mulher do grande cientista. Na realidade, Bernays teve poucas relações pessoais com o tio. Com um ano de idade transferiu-se de Viena para Nova Iorque, acompanhando seus pais judeus. Depois de ter feito um curso de agronomia, dedicou-se muito cedo a uma profissão que inventou, a de Relações Públicas, expressão que considerava mais apropriada do que “propaganda”. Combinando os estudos do tio sobre a mente e os estudos de Gustave Le Bon e outros, sobre a psicologia das massas, Bernays desenvolveu sua teoria sobre a necessidade de manipular as massas, na sociedade industrial que florescia nos Estados Unidos e no mundo. O texto que se segue é ilustrativo de sua conclusão:
“A consciente e inteligente manipulação dos hábitos e das opiniões das massas é um importante elemento na sociedade democrática. Os que manipulam esse mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível, o verdadeiro poder dirigente de nosso país. Nós somos governados, nossas mentes são moldadas, nossos gostos formados, nossas idéias sugeridas amplamente por homens dos quais nunca ouvimos falar. Este é o resultado lógico de como a nossa “sociedade democrática” é organizada. Vasto número de seres humanos deve cooperar, desta maneira acomodada, se eles têm que conviver em sociedade. Em quase todos os atos de nossa vida diária, seja na esfera política ou nos negócios, em nossa conduta social ou em nosso pensamento ético, somos dominados por um relativamente pequeno número de pessoas. Elas entendem os processos mentais e os modelos das massas. E são essas pessoas que puxam os cordões com os quais controlam a mente pública”.
Bernays entendeu que essa manipulação só é possível mediante os meios de comunicação. Ao abrir a primeira agência de comunicação em Nova Iorque, em 1913 – aos 22 anos – ele tratou de convencer os homens de negócios que o controle do mercado e o prestígio das empresas estavam “nas notícias”, e não nos anúncios. Foi assim que inventou o famoso press release. Coube-lhe também criar “eventos”, que se tornariam notícias. Patrocinou uma parada em Nova Iorque na qual, pela primeira vez, mulheres eram vistas fumando. Contratou dezenas de jovens bonitas, que desfilaram com suas longas piteiras – e abriu o mercado do cigarro para o consumo feminino. Dele também foi a idéia de que, no cinema, o cigarro tivesse, como teve, presença permanente – e criou a “merchandising”. É provável que ele mesmo nunca tenha fumado – morreu aos 103 anos, em 1995.
A prevalência dos interesses comerciais nos jornais e, em seguida, nos meios eletrônicos, tornou-se comum, depois de Bernays, que se dedicou também à propaganda política. Foi consultor de Woodrow Wilson, na Primeira Guerra Mundial, e de Roosevelt, durante o “New Deal”. É difícil que Goebbels não tivesse conhecido seus trabalhos.
A técnica de manipulação das massas é simples, sobretudo quando se conhecem os mecanismos da mente, os famosos instintos de manada, aos quais também ele e outros teóricos se referem. O “instinto de manada” foi manipulado magistralmente pelos nazistas e, também ali, a serviço do capitalismo. Krupp e Schacht tiveram tanta importância quanto Hitler. Mas, se sem Hitler poderia ter havido o nazismo, o sistema seria impensável sem Goebbels. E Goebbels, ao que tudo indica, valeu-se de Bernays, Le Bon e outros da mesma época e de idéias similares.
A propósito do “instinto de manada” vale a pena lembrar a definição do fascismo por Ortega y Gasset: um rebanho de ovelhas acovardadas, juntas umas às outras pêlo com pêlo, vigiadas por cães e submissas ao cajado do pastor. Essa manipulação das massas é o mais forte instrumento de dominação dos povos pelas oligarquias financeiras. Ela anestesia as pessoas – mediante a alienação – ao invadir a mente de cada uma delas, com os produtos tóxicos do entretenimento dirigido e das comunicações deformadas. É o que ocorre, com a demonização dos imigrantes “extracomunitários” nos países europeus, mas, sobretudo, dos procedentes dos países islâmicos. Acossados pela crise econômica, nada melhor do que encontrar um “bode expiatório”- como foram os judeus para Hitler, depois da derrota na Primeira Guerra – e, desesperadamente, organizar nova cruzada para a definitiva conquista da energia que se encontra sob as areias do Oriente Médio. Se essa conquista se fizer, há outras no horizonte, como a dos metais dos Andes e dos imensos recursos amazônicos. Não nos esqueçamos da “missão divina” de que se atribuía Bush para a invasão do Iraque – aprovada com entusiasmo pelo Congresso.
É preciso envenenar a mente dos homens, como envenenada foi a inteligência do assassino de Oslo – e desmoralizar, tanto quanto possível, as instituições do Estado Democrático – sempre a serviço dos donos do dinheiro. Quem conhece os jornais e as emissoras de televisão de Murdoch sabem que não há melhor exemplo de prática das idéias de Bernays e Goebbels do que a sua imensa empresa.
São esses mesmos instrumentos manipuladores que construíram o Partido Republicano americano e hoje incitam seus membros a impedir a taxação dos ricos para resolver o problema do endividamento do país, trazido pelas guerras, e a exigir os cortes nos gastos sociais, como os da saúde e da educação. Essa mesma manipulação produziu Quisling, o traidor norueguês a serviço de Hitler durante a guerra, e agora partejou o matador de Oslo.

Para tudo na vida existe uma canção: Zé Ramalho, Admirável gado novo.

Pra finalizar, fiquem com a versão de Maurício de Souza para o Mito da caverna, de Platão.

 
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Publicado por em 30 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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Por que a população não sai às ruas contra a corrupção

“O problema do PIG não é denunciar. Os problemas são: A quem                                                                    denuncia? quais as intenções que se tem ao denunciar? o que                                                                      deixam de denunciar, e por quê?”

Car@s amig@s:

Como diz Paulo Henrique Amorim, “é do conhecimento do mundo mineral” que o PIG só publica o que quer, quando quer e, de acordo com os seus interesses, manipula tudo que publica.

Neste sentido, reproduzo um texto que achei bastante interessante. Não concordo com tudo o que está escrito, mas não tenho dúvidas de que traz algumas contribuições importantes.

Depois de ler, por favor, tente me responder: Por que o Jornal da Globo não publicou a resposta?

Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?

O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.
Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.

A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.

A repórter até então interessada não entrou mais em contato. A reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.

Por que será?

Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST, Marina dos Santos, que não saíram em O Globo.

Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?

Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações – privataria – e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos – tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.

Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.

Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal – ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato – também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?

O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se [sic] dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Por que não vemos indignação contra a corrupção?

Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a [sic] canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.

Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.

As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay…e por que não contra a corrupção? 

Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.

Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes – como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul – mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.

A sensação é de impunidade?

Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados [sic] devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve coma [sic] devolução do dinheiro roubado… (grifo dO Alienista)

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(…) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.” (grifo dO Alienista).

Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.

São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF – por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF – que acabam naturalizando a impunidade junto a população.

Fonte: MST

Conheça a Globo, assista a este vídeo Sensacional!!!! Se não puder ver agora, coloque nos seus favoritos.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32)

E como para cada situação da vida há uma canção, fiquem com Titãs, Televisão.

 
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Publicado por em 21 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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Álvaro Dias e a “democratização” da docência no ensino superior

Tomei a liberdade de postar uma charge do Bessinha que diz “quase” tudo.

Car@s amigos!

Um dos nossos senadores da República, o paranaense (que vergonha!) Álvaro Dias, mais uma vez demonstra porque ele é um tucano.

Para os que ainda não sabem, o Excelentíssimo Senador é relator do projeto 220/2010 da Comissão de Serviços de Infraestrutura  que foi aprovado às pressas na Comissão de Educação do Senado. O projeto propõe a alteração da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a fim de “democratizar” a docência no ensino superior. Explico: A LDB determina que para atuar no ensino superior o professor precisa ter pós-graduação e isto seria “antidemocrático” na visão do Senador. E mais, segundo ele, não há no Brasil oferta necessária de pós-graduados para o mercado de trabalho do ensino superior.

Assim, ao invés de trabalhar para aumentar o acesso à pós-graduação, o senador resolveu lutar para “democratizar” o mercado por meio da alteração da LBD no sentido de permitir que os graduados possam atuar nesse nível do ensino (clique aqui para saber detalhes).

Vamos a uma breve análise do projeto:

1 – A matéria citada acima diz que “A ideia dos idealizadores do projeto 222/2010 é democratizar o ensino superior, com mais gente dando aula em mais faculdades”.

Pergunta: a quem interessa a democratização?

Se aprovado o projeto do Senado, teremos um exército de graduados com permissão legal para  atuar no ensino superior e algumas implicações:

a) As universidades públicas, por terem autonomia, continuarão exigindo titulação em seus concursos. Logo, poucos graduados chegarão à docência superior pública.

b) Como o contingente de graduados não terá acesso ao magistério superior público, só restará um caminho: o ensino privado – cujo nome diz tudo.

– Hum… começo a entender onde se quer chegar com a “democratização”.

c) Se tivermos um grande número de graduados dispostos a trabalhar no ensino superior e uma lei que permita isso do dia pra noite, teremos, claro, um grande aumento na oferta de professores à disposição dos donos das “faculdades Shopping Center” criadas sob a concessão tucana na década de 90. Não é preciso ser um grande economista para saber que havendo uma maior oferta de professores, haverá consequentemente uma redução proporcional no salário pago a eles. É a tal da lei da oferta e da procura.

Penso que agora já temos condição de saber a quem interessa a “democratização”.

Aos professores, pós-graduados ou graduados me parece que não interessa. Vejamos porque:

Se com o aumento da oferta de professores, os pós-graduados terão aumentada a concorrência e, por consequência, reduzidos os salários e mais precarizadas as condições de trabalho (que aliás já são uma vergonha), por outro lado, os graduados raramente chegarão a ocupar a função de professor de ensino superior, uma vez que os pós-graduados continuarão sendo priorizados nos processos de contratação.

Por consequência, os poucos graduados que forem contratados provavelmente não ganharão mais do que ganham nos níveis fundamental e médio.

Bingo! Os únicos a ganhar com o projeto serão os donos das “faculdades shopping center”. Afinal, com a concorrência e a dificuldade de se fechar as turmas tá muito difícil manter as taxas de lucratividade.

2)  Um dos maiores debates que se faz no Brasil há décadas é aquele que questiona a qualidade da educação. O projeto 220/2010, se aprovado, não tenho dúvidas, contribuirá para piorar ainda mais a qualidade do ensino. Por que? Penso que quanto mais precárias são as condições de trabalho de um  profissional, pior é o seu rendimento. Em qualquer área!

3) Os professores, mestres e doutores, via de regra têm vivência com pesquisa e extensão, dois pilares fundamentais na formação superior.

Mas claro que o senador não deve levar isso em conta se estiver pensando nas “faculdades shopping”. Aquelas só pagam professores por hora aula e, portanto, não oferecem nem pesquisa, nem extensão. Exceto quando o MEC vem avaliar os cursos.

4) Com relação às consequências para a clientela do ensino superior, com a aprovação do projeto haveria um maior aprofundamento na diferença na qualidade entre os ensino público e o privado. De um lado teríamos a continuação do desenvolvimento lento do ensino superior público e de outro lado uma piora na qualidade do ensino privado (cujo nome diz tudo).

Em outras palavras: os ricos, que ficam com a maior quantidade das vagas nas instituições públicas continuariam com o melhor ensino enquanto os pobres, pagantes ou bolsistas do Prouni, teriam uma educação ainda pior do que já têm.

5) Bem ao estilo vira lata de um político tucano lambedor de botas dos americanos, em seu parecer, o nobre senador tem a cara de pau (ou seria de botox?) de escrever: “É de se perguntar se havia doutores diplomados no alvorecer de Bolonha, Oxford, Harvard e Coimbra”.

Uai Senador! mas o falecido Paulo Renato de Souza não foi “o melhor ministro da educação de toda a história desse país”? a propósito ele não provocou um “grande salto” na educação brasileira, como mostrou o PIG e os tucanos por ocasião de sua morte há poucos dias? Como estaríamos no “alvorecer” de nossas universidades??

Ora Senador! não sei se o senhor olhou para a concorrência nos concursos públicos abertos para a docência no ensino superior. O Alienista que aqui escreve encarou uma concorrência alta de doutores e mestres em todos os concursos que prestou, inclusive no interior de Rondônia, Estado onde, na época, não havia nenhum programa de doutorado.

Teriam tantos mestres e doutores no “alvorecer” das grandes universidades citadas pelo Senador? Se haviam, porque teriam optado pelos graduados?

Não me parece válido o argumento de que estejamos no “alvorecer” de nossas universidades.

Mas eu acho que entendo o Senador.Certamente nos períodos de campanha – momentos em que há alguma aproximação física do candidato com a realidade – o senador não costuma ir a nenhuma reunião da SBPC, não deve ler o portal da Capes e não deve saber que há muito tempo o Brasil faz ciência e participa ativamente da comunidade científica internacional em diversas áreas do conhecimento.

É claro, a única “revista científica” que o Senador deve ler é a Veja, e como a Veja é sistema nervoso central do Pig só traz “curiosidades” científicas desenvolvidas no país do Tio Sam.

Alguém poderia perguntar: mas o Pig não noticiou o projeto do Senador? e este Alienista responderia: Claro que não! afinal o Pig atende pelo pseudônimo de Comitê DemoTucano. Logo, o projeto defendido pelo Senador não pode virar um novo “escândalo” político.

Ademais, quando é tempo de vestibular as “Faculdades Shopping” anunciam sua vagas nos veículos do PIG e, claro, ninguém joga pedra no próprio telhado.

Felizmente o Ministro da Educação, que não tem interesse no desmonte do ensino superior (o PIG odeia ele por isso!), tem ocupado os poucos espaços que se abrem para desmentir o Senador e defender o aumento da qualidade do ensino. Clique aqui pra ler.

Curiosidade: Eu sei que não tem nada a ver, mas só pra informar, o nobre Senador recebeu em sua última campanha pro Senado 75 mil reais de empresas ligadas à educação superior. Estou falando de valores declarados ao TSE, certo?

E aí eu pergunto: por que será que os bondosos empresários da educação não distribuíram esse valor em bolsas para quem não pode pagar o ensino superior?

Outras perguntas:

1 – Por que o Senador não se preocupa em democratizar o acesso ao Senado? Não é qualquer cidadão que consegue bancar uma campanha de mais de 1 milhão de reais como foi a sua. Ainda mais colocando quase 200 mil do próprio bolso.

2 – Pra que serve o Senado brasileiro? pra propor leis? essa não é a função da Assembléia Legislativa?

Se você leu a matéria e, como eu achou que o conteúdo é muito obsceno, assine a petição online que será enviada ao Senado, para barrar a aprovação do projeto 220/2010. Clique e assine!

Por falar em obscenidade, essa conversa toda me fez lembrar de uma música dos anos 80.

Caso você não admita o uso de palavrões, por favor, não ouça a música e perdoe O Alienista.

No mais, fiquem com Ultraje a Rigor… bem, o nome da música é censurado.

 
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Publicado por em 15 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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Classe Média

Olá car@s amig@s!

O Alienista ainda pretende escrever sobre a classe média, a classe social que o mauricinho Willian Bonner trata carinhosamente pelo pseudônimo de “Homer Simpsom”, mas como o semestre ainda não acabou por aqui O Alienista está impedido de exercer suas atividades humano-genéricas (rs).

Enquanto isso, na intenção de que os amigos e navegantes que aportam no blog tenham alguma diversão, O Alienista resgata uma canção muito interessante de Max Gonzaga.

O Alienista acredita que essa é uma das melhores representações que ele já viu sobre a classe média brasileira. Acredita ainda que, com as devidas adaptações, representa também o modelo ideal de clásse média construído para o  mundo ocidental.

Se você não conhece, recomendo que ouça, reflita e se divirta muito com a música. Se já conhece, como diria a Globo: “vale a pena ver de novo”!

Fiquem com Max Gonzaga, Classe média:

E aí, com todo respeito, se identificou com a letra? em que? conta pra gente!😉

 
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Publicado por em 12 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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Juíza desautoriza a libertação de escravos no século XXI

Caros amigos!

Até que um novo “post” saia do forno, fiquem com uma notícia estarrecedora.

O judiciário brasileiro em geral é uma vergonha (isso não é novidade pra ninguém), mas neste caso a Meritíssima conseguiu surpreender. Viva a nova aldeia global! Viva a pós-modernidade meritíssima!

Juíza desautoriza a libertação de 817 trabalhadores em situação análoga à escravidão

 Por decisão da juíza,os trabalhadores, entre eles 275 indígenas, seguirão em condições análogas a escravidão numa fazenda no município de Naviraí.

Renato Santana

Por decisão da juíza Marli Lopes Nogueira, da 20ª Vara do Trabalho do Distrito Federal (DF), 817 trabalhadores, entre eles 275 indígenas, seguirão em condições análogas a escravidão numa fazenda de cana de açúcar no município de Naviraí, em Mato Grosso do Sul (MS). Do contrário, deverão pedir desligamento da usina Infinity Agrícola abrindo mão de seus direitos – a rescisão indireta dos contratos não acontecerá como parte do pacote da posição da juíza.

A juíza atendeu a liminar – em mandado de segurança – da usina Infinity onde é pedida a suspenção da libertação dos trabalhadores pelo grupo móvel de fiscalização composto por auditores do trabalho, procuradoria do trabalho e Polícia Federal (PF). No impetrado, a usina pediu a retomada dos 817 trabalhadores à atividade produtiva da usina.

Conforme o despacho da juíza, as frentes de trabalho, determinadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego para tratar da questão, também estão interditadas. Por fim, Marli proibiu que a Infinity seja relacionada na lista suja do trabalho escravo – cadastro mantido pelo Governo Federal para indicar empregadores que cometem esse tipo de crime.

“É a primeira vez que se tem uma decisão desse tipo, tão escandalosamente contra os direitos humanos. Aqui no Mato Grosso do Sul se isso virar mania vai ser uma festa porque é recorrente se encontrar trabalhadores em situação análoga a escravidão”, diz Flávio Vicente Machado, integrante da equipe do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Estado.

Os 817 trabalhadores atuam no corte da cana. Desse total, 542 são migrantes mineiros e pernambucanos e os outros 275 são indígenas de povos distintos. No MS, mais de 10 mil indígenas cumprem jornadas extensas nos canaviais. “Os índios entram nessa situação porque não estão em suas terras de originárias e por falta de opção se submetem ao trabalho em condições degradantes das usinas”, explica Machado.

Para a juíza, os auditores extrapolaram: “(…) os limites de sua competência ao interditar os trabalhos do corte manual de cana em todas as frentes de trabalho da propriedade e ao determinar a rescisão indireta dos contratos de trabalho, quando poderiam apenas propor as ditas medidas”. Jonas Ratier Moreno, procurador do trabalho, afirma que a Justiça ignorou laudo sobre as condições degradantes que justificaram a interdição imposta a usina Infinity.

Os  usina é velha conhecida da lista suja do governo. Em Conceição da Barra, Espírito Santo (ES), em 2008, 64 trabalhadores foram libertados de condições degradantes de trabalho, numa usina do grupo controlador da Infinity, por operação igual a suspendida em MS pela juíza Marli. Uma liminar judicial a retirou da lista suja em fevereiro deste ano. O governo recorreu.

A Advocacia Geral da União (AGU) trabalha agora para caçar a decisão da juíza Marli para que o grupo móvel de fiscalização volte à usina para libertar os trabalhadores que lá estiverem.

Fonte: Brasil de fato

 
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Publicado por em 10 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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