RSS

Arquivo mensal: maio 2011

Morte de Zé da Castanha é comemorada no Congresso Nacional

Caros leitores e leitoras:

É com grande comoção que faço uma pausa nas minhas atividades acadêmicas para compor este post.

Ontem, um casal de lideres extrativistas, foi brutalmente assassinado e a orelha do marido foi arrancada para ser apresentada como prova de que a missão foi cumprida (leia a matéria clicando aqui).

O bravo senhor José Cláudio Ribeiro da Silva, o Zé Cláudio, ou simplesmente Zé da Castanha, vivia dos frutos da floresta, a partir dos quais produzia um conjunto de produtos que garantia a si, e aos seus, uma sobrevivência digna.

O  Zé da Castanha sabia que seria morto. Mas também sabia que a sua causa era maior que a sua vida.

O  Zé da Castanha poderia ter feito conluio com os posseiros. Poderia ter traído seus companheiros e assim continuar vivo. Poderia, quem sabe, estar rico se a invés de defender a floresta, tivesse se aliado aos posseiros, aos grileiros e ajudado a desmatar, a devastar, a destruir o que ainda resta.

O Zé da Castanha podia ter usado o seu carisma e a sua popularidade para ser eleito vereador, deputado ou mesmo um senador “verde”, e assim, poderia estar rico como estão outros que outrora estiveram nas fileiras do movimentos sociais.

Poderia estar bem, como estão Palocci, Zé Dirceu, Lula, Zé Serra, Álvaro Dias, Marina Silva e tantos outros que se valeram dos movimentos populares para se locupletarem no poder.

O Zé da Castanha  certamente não era o tipo do “cara esperto”. Era do tipo sonhador. Um idealista!

Enfim, era um sujeito ultrapassado. Daqueles que ainda sonham com projetos coletivos de sociedade e que são tão “idiotas” que morrem por eles.

Como eu disse, o Zé da Castanha sabia que ia morrer, mas foi tão “burro” que ao invés de compor, de se vender, como fizeram outros companheiros,  resolveu seguir firme, tentando com as poucas armas de que dispunha, mostrar ao mundo o ponto de vista de seu povo. Tentava ele viver em paz na sua “diferença”.

“Diferença” que virou uma palavra “cool”, tá na moda!

Tá na moda, é ensinada na escola, mostrada na televisão e nas revistas semanais. Enfim, é muito bacana!

É bacana ser diferente. Desde que a sua diferença não incomode os interesses urgentes da burguesia: de crescimento econômico, de desenvolvimento, de progresso.

É bacana. Desde que respeite a maneira de ser, de viver, de produzir e de ver o mundo que são próprios da burguesia e, por extensão, da classe média.

Você pode ser diferente. Desde que a sua diferença possa ser explorada para dar lucro.

Você pode ser diferente. Mas só se você for igual a tudo aquilo que te mostramos nos canais de comunicação e dizemos que é o “diferente” e, portanto, bacana!

Enfim, você pode ser diferente, desde que você não me incomode; e será muito bem vindo se a sua diferença se transformar em “nicho”  de mercado para que eu possa explorá-lo enquanto consumidor.

O Zé da Castanha  era diferente. Ele tentava viver a vida que escolheu, de acordo com os preceitos da liberdade burguesa e agindo dentro da lei burguesa.

Mas havia uma diferença: a sua “diferença” era uma diferença,  que incomodava e, pior, impedia a passagem do trem do progresso.

Sua morte, dentre outras suscitações, nos faz parar para analisar o direito burguês. A burguesia faz a lei, propaga a lei, a ordem, a ética e a moral, entretanto, quando vê empecilhos para o seu avanço, age na ilegalidade até conseguir patrocinar, por meio do acumulo do capital,  a mudança da lei.

Se os assassinos do Zé da Castanha e de sua esposa tivessem esperado até o dia de hoje, talvez não precisassem ter sujado as mãos de sangue.

Hoje, caro leitor, o destino nos brinda com uma trágica ironia. Hoje, a Câmara dos Deputados comemorou a morte do Zé da Castanha e de sua brava esposa com a aprovação do Novo Código Florestal Brasileiro (clique aqui para ler).

Caro leitor, tudo o que os poceiros, desmataram, devastaram, roubaram e surrupiaram  do povo da floresta e da União agora é tudo legal.

O produto do roubo se tornou direito e posso apresentá-lo à sociedade como fruto do meu trabalho.

Ou seja, caro leitor, este é o mundo onde o crime compensa!

Este é o mundo em que  o limite é posto pela quantidade de dinheiro que se tem.

A lei, ora a lei! Como diria Weber, os homens são livres para fazerem e desfazem as leis de acordo com a sua vontade. E assim o fazem!

Mas não qualquer homem. Mas sim aqueles que têm dinheiro para comprar os deputados e os senadores necessários por meio de expedientes como a contratação de  “consultorias” especializadas em produzir favores políticos.

O Zé da Castanha e sua esposa morreram ontem, caro leitor, mas infelizmente, hoje não teremos um Jornal Nacional com reportagem especial.

Não teremos reportagem especial por que José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo eram “ros à esquerda”. Representavam o atraso, uma forma de vida rudimentar, resistente ao progresso.

Pessoas como essas quando morrem, merecem no máximo uma nota de rodapé para alertar aos companheiros que restaram acerca do risco que estão correndo ao tentarem barrar o “desenvolvimento”.

Não teremos uma reportagem especial hoje e nem uma capa na Veja da semana que vem, porque, diferente do “Zé” Alencar, o “Zé” da Castanha não foi um exemplo de empreendedorismo.

O “Zé” da Castanha não ficou milionário explorando o trabalho de outros homens como fez o bom e velho “Zé”, Alencar!

O Zé da Castanha não quis se valer de seu prestígio junto aos extrativistas para ser um grande político e, por consequência, um”homem bem sucedido”.

Diga-me o que fazes e direi que “Zé” tu és!

Imagine você, caro leitor, se o Zé da Castanha, ao invés de um bravo e resistente extrativista fosse o rei do Agrobusiness nacional.

Um desses que comprometem os lençóis freáticos por meio do uso intensivo de agrotóxicos. Desses que irresponsavelmente contaminam as sementes naturais ao cultivar sementes transgênicas. Desses que, não obstante a produção de tantas mazelas,  contribuem para o invejável crescimento do PIB brasileiro.

Pense agora que este rei do agrobusiness tenha  sido assassinato por um assentado e sua orelha tenha sido apresentada aos seus pares como prova do feito.

Não é difícil imaginar o que o casal modelo (Willian Bonner e Fátima Bernardes) diriam no Jornal Nacional.

Imaginem vocês quantos dias não duraria essa novela?

Os filhos do Zé da Castanha e da Maria do Espírito Santo – que hoje devem estar inconsoláveis -, apareceriam chorando na televisão. Contariam os detalhes da tragédia. Mostrariam ao mundo o quanto o Zé da Castanha foi um bom pai, um bom amigo, um bom patrão. etc.

Pai, mãe e amigos do Zé da Castanha dariam seus depoimentos inconformados com brutalidade do crime e com a tristeza que estariam sentido.

O corpo seria velado no Palácio do Governo local, onde um bando de políticos puxa-sacos que viviam as custas do Zé iriam chorar lágrimas de crocodilo, junto à família, a fim de manter a continuidade dos negócios escusos que o Zé mantinha com Vossas Excelências.

Na próxima quinta-feira teríamos um Globo Repórter especial mostrando a ligação que os assentados que mataram o Zé, mantinham com o narcotráfico internacional e com o contrabando de armas. Quicá com a Al Qaeda do também brutalmente assassinado (será?) terrorista, Bin Laden.

Enfim senhores, a morte do Zé ocuparia por sete longos dias o noticiário e estamparia a capa dos principais jornais e revistas nacionais.

Entretanto, o Zé da Castanha não era o rei do agrobusiness e quem o matou não foi um assentado. Quem o matou provavelmente é um grileiro que hoje comemora a aprovação do novo código florestal enquanto o corpo de Zé e de sua esposa estão sendo sepultados.

No sepultamento do Zé e da Maria não haverá a presença da televisão. Não  haverá comoção nacional. Não haverá luto oficial de três dias.E nós não veremos ninguém chorando pela morte do Zé.

Não porque ninguém vai chorar. Mas porque a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão não chegaram à família e aos pares do Zé e da Maria para que eles possam mostrar a todos os seus sofrimentos e os seus mais profundos sentimentos.

A partir de hoje a polícia deve iniciar as investigações para apurar o caso da morte do Zé e da Maria.

Depois do inquérito vem o processo, as chicanas, as sentenças, os recursos, o esquecimento…

Mas fica uma certeza: os deputados brasileiros, ao legalizarem, MAIS UMA VEZ, a posse; portanto, o roubo, a rapina e a violência, sinalizam que o Zé da Castanha era o cara errado, na hora errada, fazendo a coisa errada.

Mais do que isso! A impressão que tenho é de que 410 nobres deputados (86,5% deles) comemoram hoje a morte de José Cláudio Ribeiro da Silva, de Maria do Espírito Santo, de Chico Mendes e dos 19 agricultores que morreram no massacre de Eldorado dos Carajás com a aprovação do Novo Código Florestal.

Não me surpreenderia ver os nobres deputados da bancada do agronegócio comendo pincanha gorda e bebendo vinho do porto junto à direção da Confederação Nacional da Agricultura  – CNA, em comemoração à dupla vitória: A morte do Zé da Castanha (com a esposa) e a aprovação do Novo Código Florestal.

Caro leitor, tenha muito cuidado com aquilo que você anda ensinando ao seu filho. Ao ensinar que ele deve cumprir a lei, ser ético, reto e humanista você está formando outro “Zé da Castanha” quando a sociedade mostra que os melhores “Zés”, são aqueles da estirpe do “Zé Serra” e do “Zé Dirceu”.

Para aqueles que, como eu, nunca souberam do Zé da Castanha enquanto ele era vivo, compartilho um vídeo onde este bravo ser humano anuncia sua morte à um público de centenas de pessoas e com o patrocínio do grande capital. Tente não se emocionar!Z[

Para ajudá-lo(a) na difícil tarefa de educar os filhos nos dias de hoje, reproduzo algumas gravuras que copiei do blog do Ozaí:

Anúncios
 
5 Comentários

Publicado por em 25 de maio de 2011 em Uncategorized

 

Tags: , ,

Beto Lerner e a Liberdade de Expressão

Caro leitor!

A minha sorte é não acreditar em liberdade de expressão, liberdade burguesa ou Papai Noel.

Vejam a matéria abaixo em que o Governador do Paraná, o Excelentíssimo Senhor Beto Lerner, digo, Richa, com a ajuda da Justiça Brasileira consegue censurar,  calar a voz, de um blogueiro paranaense.

Se não fosse o meu ceticismo acerca da função e eficácia das instituições democráticas eu acharia estranho ver todos os dias as emissoras de TV, os jornais e as revistas (Ah… a Veja!)  dizerem o que querem, de quem quer que seja, de forma completamente irresponsável e leviana e seguirem imunes à espada da bela dama que representa a justiça.

Tudo em nome da liberdade de imprensa!!!

Leiam a matéria aqui.

Poder e justiça

 
Deixe um comentário

Publicado por em 14 de maio de 2011 em Uncategorized

 

Tags: , ,

União estável 10 X 0 Preconceito.

Dá pra acreditar? O Supremo Brasileiro aprovou por 10 votos a O (zero!!!!)  a união estável homoafetiva.

Sinceramente, acho que ninguém em sã consciência poderia imaginar uma coisa dessas: uma casa conservadora, como é o supremo, cumprir com um papel que é do legislativo e ainda dar um “sabão” nos congressistas.

Imaginem vocês que o capitão do mato, o Excelentíssimo Senhor Ministro Gilmar Mendes, portador do mais arraigado conservadorismo que alguém pode conhecer, não teve a coragem de ser a voz dissonante do Supremo.

O lamentável é que a casa que se julgava ser a mais conservadora do país (e ainda acho que é) tomou para si o que era de responsabilidade do Congresso Brasileiro quando este simplesmente se acovardou diante do tema.

Aliás, quando o assunto é do interesse da população, ou  parte dela, e pode ir contra os “princípios morais” nossos nobres congressistas, com raras exceções, vestem logo a túnica da pureza e simplesmente “fogem da raia” a fim de preservarem seus sagrados votos nas próximas eleições..

Por outro lado, quando se trata de aumentar seus próprios salários o fazem em votações relâmpago e nem comentam o assunto pra não se “queimarem” junto à população.

A mim parece que a aprovação da união estável homoafetiva não é mais que o reconhecimento elementar da igualdade de direitos prevista em qualquer constituição burguesa inspirada nos princípios de um Estado moderno.

Estamos falando de pessoas que pagam impostos como quaisquer outras. Ou seja, pessoas que têm obrigações para cumprir junto ao Estado e que, de acordo  com lógica, teriam também que poder poder exercer os direitos que cabem aos demais.

Entretanto, até aqui os indivíduos que vivem em união estável homoafetiva estavam impedidos de usufruir dos direitos que usufruem os demais cidadãos, a exemplo da pensão por morte, do direito à herança, de compartilhar um mesmo plano de saúde, etc.

Acredito que se estivermos dispostos a abraçar o discurso moralista conservador e, consequentemente, contrário ao exercício da liberdade de se amar e dividir o teto com quem quer que seja, teremos ao menos que ter a dignidade de considerar a necessidade de reduzir a carga de impostos pessoais dos indivíduos do mesmo sexo que fizeram a opção por formarem uma família.

Quanto às questões morais, não me lembro de ter lido em qualquer código de ética ou mesmo em qualquer documento religioso  a afirmação de que cabe a quem quer seja  impedir que um outro exerça seu livre arbítrio.

Ainda assim, como o assunto é muito mais uma questão de direito do que uma questão moral, entendo que o Supremo só fez cumprir aquilo é próprio do fundamento das sociedades burguesas, ou seja, garantir o direito à liberdade.

No mais, caro leitor, se não for para reconhecer as liberdades e as opções individuais,  conclamo a todos que se unam, rasguem as constituições burguesas, mandem às favas o Estado laico, abandonem a hipocrisia, que voltemos todos para as profundezas da escuridão medieval e que vivamos de acordo com as vontades da Santa Madre Igreja e sob a proteção dos iluminados homens que compõe os estamentos superiores.

Para aqueles que quiserem ler uma opinião mais formal acerca do assunto, recomendo o artigo As relações homoafetivas e a nova união familiar, publicado no Carta Maior.

 
3 Comentários

Publicado por em 14 de maio de 2011 em Uncategorized

 

Tags: , ,

O Osama morreu. Será?

Olá!

Impressionante! eu julgava que esse tal Bin Laden já estaria morto há muito tempo. Antes mesmo dos ataques de 11 de setembro. Mas não é que ontem à noite resolveram matar o homem?

Me parece que tem algo errado no ar. estamos no ano de aniversário de 10 anos dos  ataques de 11 de setembro e até agora ninguém tinha “resolvido o caso”.

O Obama, apesar de ser um cara carismático e bom de discurso não tem conseguido levar adiante suas promessas de campanha. Pior, não consegue fazer a economia alçar vôo nem com os tornados que têm assolado às terras do “Tio San”. Ou seja, a situação dele não anda boa e já é tempo de se pensar em reeleição. Afinal, a oposição já está nas ruas!

E aí, no meio desse inferno astral do Presidente, numa bela noite, ele consegue agraciar o mundo com a notícia de que seus homens, ao seu comando, mataram o arquiinimigo mundial: o mal, o odioso, o impiedoso, o infernal Osama Bin Laden!!!!

Detalhe: estamos falando do mandatário de um país democrático que respeita as diferenças e, portanto, providenciou o sepultamento do tinhoso conforme os ditames de sua fé muçulmana. Embora haja controvérsias.

Mas o fato é que mesmo vivendo na sociedade midiática global, onde para cada movimento há um “flash”, não há um só registro de imagem do corpo, dos restos mortais, da unha encravada que identificava o sujeito, ou o que quer que seja, que possa ser mostrado para o mundo.

Pelo contrário, trataram de preparar imediatamente o sepultamento do infeliz  em um lugar bastante inusitado, “o mar”.

Sem cortejo funeral, sem imagens ao vivo via satélite, sem nenhum registrozinho!

No mundo em que tudo precisa de no mínimo 30 dias pra ser apurado, compreendido e explicado, em poucas horas estava pronto o exame definitivo de DNA dando conta de que o corpo realmente era do dito cujo.

Bom, não devo duvidar que seja verdade, mas por vias das dúvidas (olha a contradição) não vou sair acreditando nisso de qualquer jeito. Afinal, nem o Tomé que virou Santo acreditava em tudo que ouvia.

Lembremos de umas coisas: há 10 anos, George Bush estava com baixa popularidade, correndo risco de perder a reeleição mas conseguiu dar a volta por cima graças aos ataques de 11 de setembro e à nova tendência de “guerra preventiva” que ele lançou ao atacar o Iraque.

Se já vimos esse filme antes então não é muito difícil arriscar a sequência do enredo. Primeiro a gente diz que matou o Osama (e não confunda Osama com Obama, certo?). Na sequência, a gente prepara a população para uma vingança da Al Qaeda. Alguns dias depois “acontece” um atentado numa estação de metrô qualquer em algum lugar do mundo. Imediatamente a Al Qaeda reivindica a autoria do atentado. O Obama, por sua vez diz que o governo de um determinado país (que seja estratégico pra economia americana) está apoiando a Al Qaeda e que é preciso atacar aquele país para defender a liberdade e a democracia mundial – além do povo americano, é claro!

Os próximos passos, também não são difíceis de se prever, certo? A popularidade de Obama é insuflada pelo medo do povo americano. As eleições chegam. As empresas que ganharam dinheiro com a guerra patrocinam a campanha milionária da reeleição. O Obama é reeleito. E todos nós (que sobrarmos) ficamos felizes para…  ops! até a próxima armação do “Tio San”.

Será?????

Isso não é pensamento de gente certa seo Alienista!

 
5 Comentários

Publicado por em 2 de maio de 2011 em Uncategorized

 

Tags:

Dia do trabalho

Meus parabéns aos trabalhadores e trabalhadoras que, juntos, diariamente, constroem à revelia de suas vontades este mundo maluco.

Não nos esqueçamos daqueles e daquelas que no passado pagaram com suas vidas para que neste momento histórico possamos nos dar ao luxo de deixar escorrer por nossos dedos os parcos direitos trabalhistas que por eles foram consquistados.

E que tomemos consciência de que o mundo do trabalho deve ser o mundo daqueles que trabalham.

Acesse a letra do poema clicando aqui!

 
Deixe um comentário

Publicado por em 1 de maio de 2011 em Uncategorized

 

A beatificação do Papa Pop

Dá pra acreditar que “a festa” do Príncipe Willian está sendo ofuscada pela beatificação do Papa Pop, o João Paulo II?

Tudo bem que a Santa Madre Igreja está com pressa e precisa canonizar o homem antes que a memória popular dele se esqueça, mas poxa! convenhamos que dez dias a mais, ou dez dias a menos não iam fazer tannnnta diferença!! Foi falha na agenda do Vaticano ou da Coroa Britânica. Eventos com essa proporção costumam merecer ao menos uma semana de massificação nos canais de comunicação. Pensa que é fácil criar notícia?

Mas voltemos ao tema proposto. Tenho impressão de que a Igreja tem pressa de canonizar João Paulo II porque o cara realmente  foi transformado no Papa mais Popular da história e que, por esse motivo, nem uma outra imagem tem tanto poder quanto a sua para ajudar a Santa Madre Igreja a minorar sua crise em relação ao número de fiéis e, principalmente, de sacerdotes.

Claro que ele não se transformou numa figura pop por um acaso. Foi o primeiro Papa a ter à sua disposição os canais de comunicação agindo mundialmente em forma de rede e a seu favor (mas convenhamos o Ratinzger, mesmo com a imprensa toda, não se ajuda, é igual ao Serra … rs.).

Mas por que será que João Paulo II se transformou numa figura tão popular? Eu arriscaria dizer que é porque, de fato, o cara tinha carisma, era inteligente e teve uma biografia bastante marcante: levou um tiro, passou boa parte da vida adoentado, enfim, foi transformado num símbolo de sofrimento e resignação.

Mas claro que se tivesse afrontado a burguesia, hoje não gozaria dessa imagem imaculada e santificada que lhe imputaram os homens que escrevem a história.

Neste dia tão especial, em que celebram a sua beatificação , é importante lembrar que João Paulo II,  foi um grande aliado da burguesia na execução do projeto neoliberal que tem excluído, matado e fragilizado um enorme contingente de indivíduos em todo mundo, e esta um dos principais motivos para que hoje sua imagem goze de tanto prestígio dos grandes canais de comunicação.

Ao celebrar a beatificação do “Santo Padre” não nos esqueçamos que ele, com o auxílio do então Cardeal Ratzinger, enfraqueceu e quase eliminou a Teologia da Libertação, movimento que, apesar de seus limites, demonstrou ter um grande potencial de mobilização popular para a participação política.

 
2 Comentários

Publicado por em 1 de maio de 2011 em Uncategorized

 

Tags: ,

Vem pra festa na casa da Rainha!

Olá pessoal!

Eis a notícia eleita pela mídia elitista para ser o “fato da semana”: O Casamento Real!

A princípio, quando percebi o rebuliço saudosista da vassalagem, achei que o caso não tomaria tamanha proporção. Depois passei a me sentir um pouco incomodado ao passar em frente à TV, às bancas de jornais, ao ligar o rádio, ao abrir a Internet, e me deparar sempre com o mesmo assunto.

Eu não devia me surpreender. Afinal, não é  nada além do que a gente já se acostumou a ver toda semana: dezenas de canais de comunicação reproduzindo o mesmo “lixo”, como se não tivesse notícia decente pra “inventar”.

Ando pensando que eu preciso saber mais sobre Psicologia social. As leituras que tenho sobre ideologia, indústria cultural e ideologia na era da comunicação de massa parecem não ser suficientes para evitar algumas surpresas. A maior delas, em relação ao Casamento Real, se deu na sexta de manhã, quando uma pessoa do meu convívio pediu que eu ligasse a tv na “Globo” pra ver “o casamento”. E eu perguntei: que casamento?

E a resposta veio em forma de repreensão: “o do príncipe, claro, não se fala em outra coisa!”

E aí comecei a pensar ( novamente) no poder que as mídias de massa exercem sobre as chamadas camadas populares.

Que interesse despertaria um casamento naquela família decadente, não fosse a imprensa transformar isso em notícia?

Afinal, o que é a Família Real Britânica? não é só um amontado de gente que  parasita o povo britânico? (clique aqui para saber quanto custa manter a família real).

Não é só uma família que se safou de ser defenestrada do poder em função da covardia ou da incompetência da burguesia inglesa que não conseguiu, a exemplo da burguesia Francesa, enterrar nas páginas da história este símbolo remanescente do mundo medieval?

Qual a função daquela família senão manter vivos os tablóides ingleses que sobrevivem às custas de seus  “escândalos” ?

Fico pensando… como é importante a democratização efetiva dos meios de comunicação. Quanta coisa bacana poderia ser notícia e formar, instruir e conscientizar a população…

Alguns podem dizer: “mas o povo não quer saber de coisa importante. O povo quer pão e circo!”

Pode até ser, mas as experiências que tenho em sala de aula me mostram que quando utilizamos os recursos da grande mídia – com os quais a população está acostumada –  a exemplo de filmes, documentários e imagens, é muito fácil conquistar a atenção das pessoas para assuntos realmente importantes e suscitar nelas um pensamento mais reflexivo e mais crítico.

É nessas horas que penso na importância de insistirmos na necessidade de promover um debate sério e vigoroso acerca da democratização dos meios de comunicação.

Me parece que é muito difícil construir um mundo mais justo e democrático enquanto as “mass media” continuar manipulando o pensar, o ser e o agir dos indivíduos.

Por isso, engrosso o coro repetido incansavelmente pelo jornalista Paulo Henrique Amorim: “Lei de Médios já!”

Mas enquanto a “Lei de Médios” não acontece, assista hoje no Fantástico todos os detalhes sobre O casamento do Príncipe Willian. E amanhã, não deixe de contribuir com a Veja adquindo o seu exemplar da revista que nesta semana traz um especial com o título “A princesa encantada”. Dá pra acreditar???

E viva a Vassalagem!!!!

 
2 Comentários

Publicado por em 1 de maio de 2011 em Uncategorized

 

Tags: , , ,