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Arquivo mensal: julho 2011

Os assaltantes da consciência

 “Corremos alegres para o precipício quando
pomos à frente algo que nos impeça de ver”
(Blaise Pascal).

Enquanto passa por um curto período de introspecção O Alienista reproduz um texto do Jornalista Mauro Santayana do Jornal do Brasil.

Trata-se de um texto exemplar e de importância ímpar, enquanto lia me lembrava do comportamento da classe média e do papel que o PIG cumpre na manipulação do “efeito de manada”.

O Alienista recomenda a divulgação do texto.

Boa leitura a tod@s!

Os assaltantes da consciência

 Por Mauro Santayana
Muitos cometemos o engano de atribuir a Goebbels a idéia da manipulação das massas pela propaganda política. Antes que o ministro de Hitler cunhasse expressões fortes, como Deutschland, erwacht!, Edward Bernays começava a construir a sua excitante teoria sobre o tema.
Bernays, nascido em Viena, trazia a forte influência de Freud: era seu duplo sobrinho. Sua mãe foi irmã do pai da psicanálise, e seu pai, irmão da mulher do grande cientista. Na realidade, Bernays teve poucas relações pessoais com o tio. Com um ano de idade transferiu-se de Viena para Nova Iorque, acompanhando seus pais judeus. Depois de ter feito um curso de agronomia, dedicou-se muito cedo a uma profissão que inventou, a de Relações Públicas, expressão que considerava mais apropriada do que “propaganda”. Combinando os estudos do tio sobre a mente e os estudos de Gustave Le Bon e outros, sobre a psicologia das massas, Bernays desenvolveu sua teoria sobre a necessidade de manipular as massas, na sociedade industrial que florescia nos Estados Unidos e no mundo. O texto que se segue é ilustrativo de sua conclusão:
“A consciente e inteligente manipulação dos hábitos e das opiniões das massas é um importante elemento na sociedade democrática. Os que manipulam esse mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível, o verdadeiro poder dirigente de nosso país. Nós somos governados, nossas mentes são moldadas, nossos gostos formados, nossas idéias sugeridas amplamente por homens dos quais nunca ouvimos falar. Este é o resultado lógico de como a nossa “sociedade democrática” é organizada. Vasto número de seres humanos deve cooperar, desta maneira acomodada, se eles têm que conviver em sociedade. Em quase todos os atos de nossa vida diária, seja na esfera política ou nos negócios, em nossa conduta social ou em nosso pensamento ético, somos dominados por um relativamente pequeno número de pessoas. Elas entendem os processos mentais e os modelos das massas. E são essas pessoas que puxam os cordões com os quais controlam a mente pública”.
Bernays entendeu que essa manipulação só é possível mediante os meios de comunicação. Ao abrir a primeira agência de comunicação em Nova Iorque, em 1913 – aos 22 anos – ele tratou de convencer os homens de negócios que o controle do mercado e o prestígio das empresas estavam “nas notícias”, e não nos anúncios. Foi assim que inventou o famoso press release. Coube-lhe também criar “eventos”, que se tornariam notícias. Patrocinou uma parada em Nova Iorque na qual, pela primeira vez, mulheres eram vistas fumando. Contratou dezenas de jovens bonitas, que desfilaram com suas longas piteiras – e abriu o mercado do cigarro para o consumo feminino. Dele também foi a idéia de que, no cinema, o cigarro tivesse, como teve, presença permanente – e criou a “merchandising”. É provável que ele mesmo nunca tenha fumado – morreu aos 103 anos, em 1995.
A prevalência dos interesses comerciais nos jornais e, em seguida, nos meios eletrônicos, tornou-se comum, depois de Bernays, que se dedicou também à propaganda política. Foi consultor de Woodrow Wilson, na Primeira Guerra Mundial, e de Roosevelt, durante o “New Deal”. É difícil que Goebbels não tivesse conhecido seus trabalhos.
A técnica de manipulação das massas é simples, sobretudo quando se conhecem os mecanismos da mente, os famosos instintos de manada, aos quais também ele e outros teóricos se referem. O “instinto de manada” foi manipulado magistralmente pelos nazistas e, também ali, a serviço do capitalismo. Krupp e Schacht tiveram tanta importância quanto Hitler. Mas, se sem Hitler poderia ter havido o nazismo, o sistema seria impensável sem Goebbels. E Goebbels, ao que tudo indica, valeu-se de Bernays, Le Bon e outros da mesma época e de idéias similares.
A propósito do “instinto de manada” vale a pena lembrar a definição do fascismo por Ortega y Gasset: um rebanho de ovelhas acovardadas, juntas umas às outras pêlo com pêlo, vigiadas por cães e submissas ao cajado do pastor. Essa manipulação das massas é o mais forte instrumento de dominação dos povos pelas oligarquias financeiras. Ela anestesia as pessoas – mediante a alienação – ao invadir a mente de cada uma delas, com os produtos tóxicos do entretenimento dirigido e das comunicações deformadas. É o que ocorre, com a demonização dos imigrantes “extracomunitários” nos países europeus, mas, sobretudo, dos procedentes dos países islâmicos. Acossados pela crise econômica, nada melhor do que encontrar um “bode expiatório”- como foram os judeus para Hitler, depois da derrota na Primeira Guerra – e, desesperadamente, organizar nova cruzada para a definitiva conquista da energia que se encontra sob as areias do Oriente Médio. Se essa conquista se fizer, há outras no horizonte, como a dos metais dos Andes e dos imensos recursos amazônicos. Não nos esqueçamos da “missão divina” de que se atribuía Bush para a invasão do Iraque – aprovada com entusiasmo pelo Congresso.
É preciso envenenar a mente dos homens, como envenenada foi a inteligência do assassino de Oslo – e desmoralizar, tanto quanto possível, as instituições do Estado Democrático – sempre a serviço dos donos do dinheiro. Quem conhece os jornais e as emissoras de televisão de Murdoch sabem que não há melhor exemplo de prática das idéias de Bernays e Goebbels do que a sua imensa empresa.
São esses mesmos instrumentos manipuladores que construíram o Partido Republicano americano e hoje incitam seus membros a impedir a taxação dos ricos para resolver o problema do endividamento do país, trazido pelas guerras, e a exigir os cortes nos gastos sociais, como os da saúde e da educação. Essa mesma manipulação produziu Quisling, o traidor norueguês a serviço de Hitler durante a guerra, e agora partejou o matador de Oslo.

Para tudo na vida existe uma canção: Zé Ramalho, Admirável gado novo.

Pra finalizar, fiquem com a versão de Maurício de Souza para o Mito da caverna, de Platão.

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Publicado por em 30 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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Por que a população não sai às ruas contra a corrupção

“O problema do PIG não é denunciar. Os problemas são: A quem                                                                    denuncia? quais as intenções que se tem ao denunciar? o que                                                                      deixam de denunciar, e por quê?”

Car@s amig@s:

Como diz Paulo Henrique Amorim, “é do conhecimento do mundo mineral” que o PIG só publica o que quer, quando quer e, de acordo com os seus interesses, manipula tudo que publica.

Neste sentido, reproduzo um texto que achei bastante interessante. Não concordo com tudo o que está escrito, mas não tenho dúvidas de que traz algumas contribuições importantes.

Depois de ler, por favor, tente me responder: Por que o Jornal da Globo não publicou a resposta?

Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?

O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.
Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.

A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.

A repórter até então interessada não entrou mais em contato. A reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.

Por que será?

Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST, Marina dos Santos, que não saíram em O Globo.

Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?

Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações – privataria – e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos – tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.

Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.

Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal – ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato – também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?

O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se [sic] dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Por que não vemos indignação contra a corrupção?

Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a [sic] canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.

Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.

As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay…e por que não contra a corrupção? 

Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.

Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes – como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul – mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.

A sensação é de impunidade?

Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados [sic] devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve coma [sic] devolução do dinheiro roubado… (grifo dO Alienista)

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(…) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.” (grifo dO Alienista).

Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.

São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF – por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF – que acabam naturalizando a impunidade junto a população.

Fonte: MST

Conheça a Globo, assista a este vídeo Sensacional!!!! Se não puder ver agora, coloque nos seus favoritos.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32)

E como para cada situação da vida há uma canção, fiquem com Titãs, Televisão.

 
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Publicado por em 21 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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Álvaro Dias e a “democratização” da docência no ensino superior

Tomei a liberdade de postar uma charge do Bessinha que diz “quase” tudo.

Car@s amigos!

Um dos nossos senadores da República, o paranaense (que vergonha!) Álvaro Dias, mais uma vez demonstra porque ele é um tucano.

Para os que ainda não sabem, o Excelentíssimo Senador é relator do projeto 220/2010 da Comissão de Serviços de Infraestrutura  que foi aprovado às pressas na Comissão de Educação do Senado. O projeto propõe a alteração da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a fim de “democratizar” a docência no ensino superior. Explico: A LDB determina que para atuar no ensino superior o professor precisa ter pós-graduação e isto seria “antidemocrático” na visão do Senador. E mais, segundo ele, não há no Brasil oferta necessária de pós-graduados para o mercado de trabalho do ensino superior.

Assim, ao invés de trabalhar para aumentar o acesso à pós-graduação, o senador resolveu lutar para “democratizar” o mercado por meio da alteração da LBD no sentido de permitir que os graduados possam atuar nesse nível do ensino (clique aqui para saber detalhes).

Vamos a uma breve análise do projeto:

1 – A matéria citada acima diz que “A ideia dos idealizadores do projeto 222/2010 é democratizar o ensino superior, com mais gente dando aula em mais faculdades”.

Pergunta: a quem interessa a democratização?

Se aprovado o projeto do Senado, teremos um exército de graduados com permissão legal para  atuar no ensino superior e algumas implicações:

a) As universidades públicas, por terem autonomia, continuarão exigindo titulação em seus concursos. Logo, poucos graduados chegarão à docência superior pública.

b) Como o contingente de graduados não terá acesso ao magistério superior público, só restará um caminho: o ensino privado – cujo nome diz tudo.

– Hum… começo a entender onde se quer chegar com a “democratização”.

c) Se tivermos um grande número de graduados dispostos a trabalhar no ensino superior e uma lei que permita isso do dia pra noite, teremos, claro, um grande aumento na oferta de professores à disposição dos donos das “faculdades Shopping Center” criadas sob a concessão tucana na década de 90. Não é preciso ser um grande economista para saber que havendo uma maior oferta de professores, haverá consequentemente uma redução proporcional no salário pago a eles. É a tal da lei da oferta e da procura.

Penso que agora já temos condição de saber a quem interessa a “democratização”.

Aos professores, pós-graduados ou graduados me parece que não interessa. Vejamos porque:

Se com o aumento da oferta de professores, os pós-graduados terão aumentada a concorrência e, por consequência, reduzidos os salários e mais precarizadas as condições de trabalho (que aliás já são uma vergonha), por outro lado, os graduados raramente chegarão a ocupar a função de professor de ensino superior, uma vez que os pós-graduados continuarão sendo priorizados nos processos de contratação.

Por consequência, os poucos graduados que forem contratados provavelmente não ganharão mais do que ganham nos níveis fundamental e médio.

Bingo! Os únicos a ganhar com o projeto serão os donos das “faculdades shopping center”. Afinal, com a concorrência e a dificuldade de se fechar as turmas tá muito difícil manter as taxas de lucratividade.

2)  Um dos maiores debates que se faz no Brasil há décadas é aquele que questiona a qualidade da educação. O projeto 220/2010, se aprovado, não tenho dúvidas, contribuirá para piorar ainda mais a qualidade do ensino. Por que? Penso que quanto mais precárias são as condições de trabalho de um  profissional, pior é o seu rendimento. Em qualquer área!

3) Os professores, mestres e doutores, via de regra têm vivência com pesquisa e extensão, dois pilares fundamentais na formação superior.

Mas claro que o senador não deve levar isso em conta se estiver pensando nas “faculdades shopping”. Aquelas só pagam professores por hora aula e, portanto, não oferecem nem pesquisa, nem extensão. Exceto quando o MEC vem avaliar os cursos.

4) Com relação às consequências para a clientela do ensino superior, com a aprovação do projeto haveria um maior aprofundamento na diferença na qualidade entre os ensino público e o privado. De um lado teríamos a continuação do desenvolvimento lento do ensino superior público e de outro lado uma piora na qualidade do ensino privado (cujo nome diz tudo).

Em outras palavras: os ricos, que ficam com a maior quantidade das vagas nas instituições públicas continuariam com o melhor ensino enquanto os pobres, pagantes ou bolsistas do Prouni, teriam uma educação ainda pior do que já têm.

5) Bem ao estilo vira lata de um político tucano lambedor de botas dos americanos, em seu parecer, o nobre senador tem a cara de pau (ou seria de botox?) de escrever: “É de se perguntar se havia doutores diplomados no alvorecer de Bolonha, Oxford, Harvard e Coimbra”.

Uai Senador! mas o falecido Paulo Renato de Souza não foi “o melhor ministro da educação de toda a história desse país”? a propósito ele não provocou um “grande salto” na educação brasileira, como mostrou o PIG e os tucanos por ocasião de sua morte há poucos dias? Como estaríamos no “alvorecer” de nossas universidades??

Ora Senador! não sei se o senhor olhou para a concorrência nos concursos públicos abertos para a docência no ensino superior. O Alienista que aqui escreve encarou uma concorrência alta de doutores e mestres em todos os concursos que prestou, inclusive no interior de Rondônia, Estado onde, na época, não havia nenhum programa de doutorado.

Teriam tantos mestres e doutores no “alvorecer” das grandes universidades citadas pelo Senador? Se haviam, porque teriam optado pelos graduados?

Não me parece válido o argumento de que estejamos no “alvorecer” de nossas universidades.

Mas eu acho que entendo o Senador.Certamente nos períodos de campanha – momentos em que há alguma aproximação física do candidato com a realidade – o senador não costuma ir a nenhuma reunião da SBPC, não deve ler o portal da Capes e não deve saber que há muito tempo o Brasil faz ciência e participa ativamente da comunidade científica internacional em diversas áreas do conhecimento.

É claro, a única “revista científica” que o Senador deve ler é a Veja, e como a Veja é sistema nervoso central do Pig só traz “curiosidades” científicas desenvolvidas no país do Tio Sam.

Alguém poderia perguntar: mas o Pig não noticiou o projeto do Senador? e este Alienista responderia: Claro que não! afinal o Pig atende pelo pseudônimo de Comitê DemoTucano. Logo, o projeto defendido pelo Senador não pode virar um novo “escândalo” político.

Ademais, quando é tempo de vestibular as “Faculdades Shopping” anunciam sua vagas nos veículos do PIG e, claro, ninguém joga pedra no próprio telhado.

Felizmente o Ministro da Educação, que não tem interesse no desmonte do ensino superior (o PIG odeia ele por isso!), tem ocupado os poucos espaços que se abrem para desmentir o Senador e defender o aumento da qualidade do ensino. Clique aqui pra ler.

Curiosidade: Eu sei que não tem nada a ver, mas só pra informar, o nobre Senador recebeu em sua última campanha pro Senado 75 mil reais de empresas ligadas à educação superior. Estou falando de valores declarados ao TSE, certo?

E aí eu pergunto: por que será que os bondosos empresários da educação não distribuíram esse valor em bolsas para quem não pode pagar o ensino superior?

Outras perguntas:

1 – Por que o Senador não se preocupa em democratizar o acesso ao Senado? Não é qualquer cidadão que consegue bancar uma campanha de mais de 1 milhão de reais como foi a sua. Ainda mais colocando quase 200 mil do próprio bolso.

2 – Pra que serve o Senado brasileiro? pra propor leis? essa não é a função da Assembléia Legislativa?

Se você leu a matéria e, como eu achou que o conteúdo é muito obsceno, assine a petição online que será enviada ao Senado, para barrar a aprovação do projeto 220/2010. Clique e assine!

Por falar em obscenidade, essa conversa toda me fez lembrar de uma música dos anos 80.

Caso você não admita o uso de palavrões, por favor, não ouça a música e perdoe O Alienista.

No mais, fiquem com Ultraje a Rigor… bem, o nome da música é censurado.

 
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Publicado por em 15 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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Classe Média

Olá car@s amig@s!

O Alienista ainda pretende escrever sobre a classe média, a classe social que o mauricinho Willian Bonner trata carinhosamente pelo pseudônimo de “Homer Simpsom”, mas como o semestre ainda não acabou por aqui O Alienista está impedido de exercer suas atividades humano-genéricas (rs).

Enquanto isso, na intenção de que os amigos e navegantes que aportam no blog tenham alguma diversão, O Alienista resgata uma canção muito interessante de Max Gonzaga.

O Alienista acredita que essa é uma das melhores representações que ele já viu sobre a classe média brasileira. Acredita ainda que, com as devidas adaptações, representa também o modelo ideal de clásse média construído para o  mundo ocidental.

Se você não conhece, recomendo que ouça, reflita e se divirta muito com a música. Se já conhece, como diria a Globo: “vale a pena ver de novo”!

Fiquem com Max Gonzaga, Classe média:

E aí, com todo respeito, se identificou com a letra? em que? conta pra gente! 😉

 
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Publicado por em 12 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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Juíza desautoriza a libertação de escravos no século XXI

Caros amigos!

Até que um novo “post” saia do forno, fiquem com uma notícia estarrecedora.

O judiciário brasileiro em geral é uma vergonha (isso não é novidade pra ninguém), mas neste caso a Meritíssima conseguiu surpreender. Viva a nova aldeia global! Viva a pós-modernidade meritíssima!

Juíza desautoriza a libertação de 817 trabalhadores em situação análoga à escravidão

 Por decisão da juíza,os trabalhadores, entre eles 275 indígenas, seguirão em condições análogas a escravidão numa fazenda no município de Naviraí.

Renato Santana

Por decisão da juíza Marli Lopes Nogueira, da 20ª Vara do Trabalho do Distrito Federal (DF), 817 trabalhadores, entre eles 275 indígenas, seguirão em condições análogas a escravidão numa fazenda de cana de açúcar no município de Naviraí, em Mato Grosso do Sul (MS). Do contrário, deverão pedir desligamento da usina Infinity Agrícola abrindo mão de seus direitos – a rescisão indireta dos contratos não acontecerá como parte do pacote da posição da juíza.

A juíza atendeu a liminar – em mandado de segurança – da usina Infinity onde é pedida a suspenção da libertação dos trabalhadores pelo grupo móvel de fiscalização composto por auditores do trabalho, procuradoria do trabalho e Polícia Federal (PF). No impetrado, a usina pediu a retomada dos 817 trabalhadores à atividade produtiva da usina.

Conforme o despacho da juíza, as frentes de trabalho, determinadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego para tratar da questão, também estão interditadas. Por fim, Marli proibiu que a Infinity seja relacionada na lista suja do trabalho escravo – cadastro mantido pelo Governo Federal para indicar empregadores que cometem esse tipo de crime.

“É a primeira vez que se tem uma decisão desse tipo, tão escandalosamente contra os direitos humanos. Aqui no Mato Grosso do Sul se isso virar mania vai ser uma festa porque é recorrente se encontrar trabalhadores em situação análoga a escravidão”, diz Flávio Vicente Machado, integrante da equipe do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Estado.

Os 817 trabalhadores atuam no corte da cana. Desse total, 542 são migrantes mineiros e pernambucanos e os outros 275 são indígenas de povos distintos. No MS, mais de 10 mil indígenas cumprem jornadas extensas nos canaviais. “Os índios entram nessa situação porque não estão em suas terras de originárias e por falta de opção se submetem ao trabalho em condições degradantes das usinas”, explica Machado.

Para a juíza, os auditores extrapolaram: “(…) os limites de sua competência ao interditar os trabalhos do corte manual de cana em todas as frentes de trabalho da propriedade e ao determinar a rescisão indireta dos contratos de trabalho, quando poderiam apenas propor as ditas medidas”. Jonas Ratier Moreno, procurador do trabalho, afirma que a Justiça ignorou laudo sobre as condições degradantes que justificaram a interdição imposta a usina Infinity.

Os  usina é velha conhecida da lista suja do governo. Em Conceição da Barra, Espírito Santo (ES), em 2008, 64 trabalhadores foram libertados de condições degradantes de trabalho, numa usina do grupo controlador da Infinity, por operação igual a suspendida em MS pela juíza Marli. Uma liminar judicial a retirou da lista suja em fevereiro deste ano. O governo recorreu.

A Advocacia Geral da União (AGU) trabalha agora para caçar a decisão da juíza Marli para que o grupo móvel de fiscalização volte à usina para libertar os trabalhadores que lá estiverem.

Fonte: Brasil de fato

 
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Publicado por em 10 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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Copavi: sinal de que um “outro mundo é possível”

Há poucos dias vivi uma experiência que, acredito, deve ser compartilhada. Conheci a COPAVI – Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória, uma cooperativa fundada por pequenos produtores rurais assentados em uma fazenda com sede em Paranacity, no Paraná.

É bom que se diga que a COPAVI não é só uma cooperativa daquelas que os indivíduos criam para obter lucros. Pelo que pude perceber, é muito mais que isso,  é um estilo de vida. Um tipo de sociedade onde a cooperação e a comunhão nos permite sonhar com uma vida mais plena de sentido. Uma vida que não seja tão parcial como é a maioria de nossas vidas.

Mas vamos a experiência. Assim que cheguei à fazenda, pude ver uma porção de crianças brincando e perguntei a uma delas, onde morava a minha aluna, a pessoa que me apresentaria a cooperativa.

Ocorrido o encontro, enquanto caminhávamos, minha aluna ia respondendo ao turbilhão de perguntas que eu  formulava.

Primeiro fomos conhecer a cadeia produtiva do leite. Na fazenda cria-se gado leiteiro e a partir do leite se produz leite pasteurizado, queijos e iogurte.

Conheci também a cadeia produtiva da cana. E dentre as coisas que vi, percebi que, diferente dos grandes usineiros, os agricultores da Copavi não queimam a cana. Colhem-na com a palha, que depois de separada é usada para cobrir o solo (arenito caiuá), já bastante judiado pelo uso intensivo de outrora. Dessa forma, há uma maior retenção da umidade e a decomposição da palha permite a recuperação do solo.

Da cana se produz o açúcar mascavo que posteriormente é distribuído no mercado nacional.

Detalhe importante é o fato da caldeira ser aquecida com o próprio bagaço da cana, processo que evita a extração de madeira para o uso na forma de lenha.

Em seguida fomos a horta comunitária, onde são produzidos os legumes e hortaliças consumidos pelas 22 famílias cooperadas. Minha aluna assegurou que são todos produtos orgânicos, logo, livre de herbicidas.

É claro que a Copavi não é o paraíso. Minha aluna reconhece que ainda há muito que se conquistar e muito o que fazer, entretanto, lembra que há 18 anos os agricultores chegaram à fazenda sem nada e hoje, além de conseguirem se manter, para o desespero dos defensores da superioridade intelectual burguesa, contratam força de trabalho de moradores do município de Paranacity.

Isso mesmo, caro leitor, agricultores familiares associados não só dão conta de suas próprias existências sem a necessidade de um patrão como contratam força de trabalho exterior à cooperativa para dar conta do trabalho social necessário.

Como a visita ocorreu num final de domingo, boa parte dos jovens estavam jogando “uma pelada” no campo de futebol que fica ali mesmo, na fazenda. As crianças brincavam em volta do campo, no “playground”, ou com a terra. As moças, ou assistiam ao jogo ou ocupavam o tempo conversando.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a relação que os adultos têm com as crianças. Por serem todos de uma mesma comunidade e terem um convívio muito intenso, todos se sentem responsáveis pelas crianças que mais parecem filhos da comunidade. Assim independente de estarem perto dos pais as crianças recebem a atenção e o cuidado dos adultos.

Mas dentre tudo o que vi, talvez o que mais tenha me impressionado foi saber que a terra, as instalações, os veículos e até mesmo as casas onde moram os cooperados são de propriedade coletiva.

Imaginem vocês, tudo é de todos e não é de ninguém em particular. Todos trabalham coletivamente para a comunidade e no fim das contas, para si mesmos.

Me fez até lembrar de uma frase de Raul Seixas, mais ou menos assim: “O meu egoísmo é tão egoísta, que o auge do meu egoísmo é querer ajudar”.

Me parece que é exatamente o que fazem os cooperados da Copavi. Certamente se há 18 anos tivessem chegado sem nada em Paranacity e fossem cuidar de seus interesses individuais (egoístas) hoje, certamente, boa parte deles estariam vendendo sua força no corte da cana e teriam, no máximo, uma casa própria e uma existência extremamente limitada. Além de problemas com a saúde, claro!

Entretanto, os pequenos agricultores resolveram se ajudar, e como consequência construíram uma cooperativa que é modelo não só para a comunidade local, como para todo o Brasil. Assim, satisfazem suas necessidades materiais e vivem, indubitavelmente, menos alienados que a maioria de nós, em diversas dimensões de suas existências.

Outro elemento simbólico que me pareceu bastante significativo é o fato de que os cooperados tomam o café da manhã e almoçam em refeitório coletivo, todos juntos.

Sendo assim, mesmo sabendo que a Copavi tem seus limites, até por depender da relação com o restante da sociedade no que concerne à produção, ao comércio, ao consumo, à educação formal, etc., ainda assim, vejo a Copavi como um sinal de que um “outro mundo é possível”.

Vejo diariamente nos jornais, nas revistas, nos livros e no imaginário social a visão, a meu ver equivocada, de que será possível transformar o mundo a partir de idéias baseadas na moral, na ética, na paz, e nas atitudes isoladas de cada um tendo em vista “um mundo melhor” (essa expressão me parece vazia de sentido). Entretanto, quando tento entender o funcionamento da sociedade, verifico que tais princípios morais e a observação da ética, boa parte das vezes, mais atrapalham os sujeitos do que os ajuda. Afinal, estamos no “mundo dos espertos” e são exatamente estes os que se dão bem.

Vamos a um exemplo: determinado sujeito depois de anos ralando e decorando o catecismo das novas formas de gerenciamento das empresas, professando o credo neoliberal e com muita fé em Deus, chega ao posto de executivo de uma grande empresa e, além de todo o “stress” decorrente das pressões por metas, etc., está diante de uma situação difícil: para cumprir as metas estabelecidas e, portanto, garantir o sucesso de “sua”empresa, o nosso executivo precisa explorar ao extremo um grupo de trabalhadores, pagando baixos salários e exigindo que se faça horas extras que não serão pagas sob a certeza da impunidade. Nosso executivo vê que este é o único caminho que lhe resta para baixar os custo de produção em “sua” empresa e, portanto, a única forma de ser competitivo em um setor onde a precarização e o uso extensivo de novas tecnologias predomina.

Se este executivo observar um código de ética ou uma determinada moral religiosa – a menos que eu esteja enganado – experimentará, em vão, um intenso sofrimento por ser obrigado a contrariar seus princípios, sob pena de deixar ir por terra todo o investimento que fez em sua “brilhante carreira”. Por outro lado, se for um homem livre de valores, sentirá prazer em ver atingido seus objetivos e receberá com júbilo os louros de seu sucesso.

Penso, inclusive que o exemplo pode ser adaptado para diversas áreas sociais, como à  política, à relação com o meio ambiente, às atividades acadêmicas, ou a qualquer outra situação em que, tendo em vista as condições objetivas, os indivíduos envolvidos se obrigam –  a menos que arquem com as consequências disso – optar pelo que não é moralmente aceito nos códigos de ética.

Outras possibilidades, me parece, só estão reservadas àqueles que, entendendo as regras, não queiram fazer parte do jogo.

É neste sentido que digo que experiências como a da Copavi são sinais de que um “outro mundo é possível”. A estrutura democrática da cooperativa e a necessidade que cada um tem em relação ao trabalho do outro, a meu ver, cooperam para uma postura de ética humanista.

Estou pressupondo que em comunidades como a Copavi, são os indivíduos os senhores do processo social, logo têm potencialidade de não serem reféns de uma lógica exterior que limite seus comportamentos e suas ações.

Entendo, por outro lado, que o exercício da democracia, necessário em comunidades como esta, deve ser muito desgastante até que se torne hábito. Afinal, o exercício não é habitual nas relações sociais que reproduzimos. Entretanto, não tenho dúvidas de que é extremamente enriquecedor.

Pensamento utópico? Certamente. Mas a insistência em continuar reproduzindo um modelo de sociedade autodestrutiva, onde as teorias da sustentabilidade não se sustentam não é igualmente utópico?

Enfim, eu, um aprendiz da sociologia, tive uma aula de sociologia extraordinária. Que bom!

Curiosidade:

Um dos maiores problemas da Copavi, a despeito de respeitar as exigências da sustentabilidade e mesmo sendo um projeto de inegável contribuição social, é a dificuldade que se tem para conseguir financiamentos públicos. Há vários projetos que poderiam ser implantados para reduzir a necessidade do uso da força-de-trabalho, aumentar a produção da Cooperativa e liberar os cooperados de parte do tempo dedicado à produção,entretanto, não há dinheiro para isso.

Interessante é que há pouco tempo estive em uma das unidades da usina que predomina na região Noroeste do Paraná e vi uma placa informando que o BNDES havia liberado 100 milhões de reais para aquela unidade da Usina (clique aqui para ler).

Também nos últimos dias, temos visto vários de nosso políticos interessados em justificar um empréstimo do BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Social (que usa o dinheiro do FAT, portanto, de nós trabalhadores) no valor de 1,7 bilhão de EUROS, cujo benefício social vai exclusivamente para o Sr. Abílio Diniz e seus sócios franceses (ser empresário de sucesso assim, até eu sou!) – Clique aqui para ler.

Perguntinhas: Por que tem dinheiro pro Abílio, pro Dantas, pros capitalistas em geral e para a Copavi não tem? Quem presta serviços de maior relevância social? Por que a Veja, que anda sem assunto e está querendo ressuscitar  “os aloprados” para criar mais um “escândalo”, não lança uma capa “bombástica” mostrando o escândalo que é o dinheiro do trabalhador ser embolsado descaradamente pelos seus patrões (de novo) sem previsão de retorno nenhum à sociedade???

Registro: Meus sinceros agradecimentos à Claudete pela oportunidade, pela paciência e pela excelente aula.

Fiquem com Chico Buarque, Assentamento e, para matar a saudade dos tempos da Teologia da Libertação, Chico Rey e Paraná, A grande esperança.

 
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Publicado por em 2 de julho de 2011 em Uncategorized

 

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